Burt Typographer; a primeira máquina de escrever americana (London Science Museum, foto Bob Moran)
Mitterhoffer, toda feita em madeira (Dresden Technical University, Dresden, Alemanha)
Nessa época surgiram muitos inventores e protótipos, incluindo a máquina brasileira inventada pelo padre Francisco Azevedo em 1861.
Essa máquina foi apresentada na feira Internacional de Recife daquele ano e gerou muito interesse.
Infelizmente, nunca chegou a ser fabricada em série e o protótipo que aparece na ilustração foi destruído.
Maquina do Padre Azevedo (Escritório de Patentes do Brasil)
A primeira máquina realmente produzida em série e utilizada em diversos escritórios, foi sem dúvida a Skrivekugle, ou Malling Hansen.
Foi inventada e desenvolvida pelo Pastor Johan Rasmus Malling Hansen, da Dinamarca, diretor do Instituto Para Cegos e Surdos de Copenhagen.
Skrivekugle ou Malling Hansen.
Fabricada na Dinamarca em 1870, é a primeira máquina a ser produzida em série. Danmarks Tekniske Museum, foto Jan Slot-Carlsen
Em 1865 foi produzido o primeiro modelo, que se destacava por uma semi-esfera, onde as barras de tipo eram colocadas de forma radial, a tecla em uma ponta e o tipo na outra, todos convergindo para um único ponto onde ocorria a impressão.
A ação de imprimir era direta e livre, sem nenhuma das ligações e conexões que tanto atrapalharam as máquinas rivais.
Após diversos aprimoramentos, chegou-se ao modelo da ilustração acima; é uma máquina maravilhosa, precisa e infinitamente superior a muitas das máquinas que a sucederam.
Já naquela época apresentava uma série de características que só viriam surgir muito depois nas outras máquinas: retorno do carro automático, avanço de linha automático, barra de espaço e índice para parágrafos, campainha para sinalizar fim da linha, reversão da fita e escrita semi-visível, bastando levantar-se o carro.
Os tipos e símbolos eram esculpidos individualmente na extremidade das barras pelos artesãos da época.
Algumas centenas dessas fascinantes máquinas foram produzidas, e conhece-se aproximadamente 30 exemplares que sobreviveram, a maioria em museus. Estima-se que aproximadamente 6 ou 7 estejam em coleções particulares.
Se a Malling Hansen foi a primeira máquina a ser produzida em série, a Sholes & Glidden foi a máquina que deu início à indústria da máquina de escrever.
A história desta máquina inicia-se em 1868 quando Christopher Latham Sholes desenvolveu a idéia que serviu de fundamento à indústria de máquinas de escrever.
Trabalhando com um grupo de amigos em uma oficina primitiva em Milwaukee, nos EUA, Sholes criou, 5 anos mais tarde, uma máquina que foi apresentada aos famosos fabricantes de armas Remington & Sons, de Ilion, Nova York. Carlos Glidden era um associado de Sholes e detinha participação no empreendimento, e foi assim que teve seu nome associado à máquina Sholes & Glidden.
As primeiras máquinas começaram a ser fabricadas em 1874 pela Remington; tinham sua própria mesa e eram decoradas com motivos florais e detalhes dourados. Pareciam um pouco com as máquinas de costura da época, influência, sem dúvida, do departamento de máquinas de costura da Remington.
O objetivo da decoração era apresentar um produto com uma aparência agradável.
A Sholes & Glidden escrevia somente em maiúsculas, e as barras moviam-se de baixo para cima. Para ver o que estava sendo escrito, era necessário levantar o carro.
Uma curiosidade desta máquina: Sholes foi o responsável pelo teclado QWERTY.
O nome foi dado porque essa é a sequência das primeiras letras da fileira de cima do teclado. O teclado QWERTY continua presente até hoje nos teclados de computadores.
A razão para a escolha deste teclado é muito prosaica: dentro da máquina, as barras de tipo operavam muito perto umas das outras, podendo colidir e emperrar.
Para evitar ao máximo o problema, Sholes analisou as palavras mais utilizadas na língua inglesa e dispôs as barras dentro da máquina a fim de minimizar a probabilidade de colisão.
A Sholes & Glidden não foi um sucesso imediato; era cara e apresentava problemas; além do mais, era hábito da época que as cartas fossem escritas à mão.
Pouco a pouco, surgiram os primeiros operadores destas máquinas, mulheres principalmente. Foi assim que a máquina de escrever contribuiu enormemente para o ingresso das mulheres no ambiente de trabalho nos escritórios.
Aproximadamente 5.000 Sholes & Glidden foram fabricadas; o modelo inicial com flores e decorações foi substituído por um modelo preto com decoração mais sóbria.
Em 1878 a Remington lançou a Remington 2, com inúmeros aperfeiçoamentos, inclusive dotada de mecanismo que possibilitava datilografar maiúsculas e minúsculas.
A máquina era eficiente e durável e, após um início incerto, as vendas finalmente decolaram, atraindo então o interesse de outros fabricantes; a concorrência apareceu e a indústria de máquinas de escrever instalou-se.
Um aspecto fascinante do desenvolvimento das máquinas de escrever é o relacionado às patentes. Como os concorrentes não podiam infringir as patentes registradas, tinham de inventar características especiais para que fossem patenteadas.
Esse fato explica a enorme variedade de tipos de mecanismos das máquinas de escrever. É fascinante observar essa variedade e analisar essa evolução.
Tanto a Malling Hansen quanto a Sholes & Glidden são máquinas extremamente desejadas pelos colecionadores.
Cartão postal do início do século XX; a palavra typewriter, à época, significava tanto “máquina de escrever” como “datilógrafa”. O título, portanto, “Ocupado com uma typewriter”, é de duplo sentido e um exemplo do humor da época.
Fonte: wwww.maquinasdeescreverantigas.com.br